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Pacientes


Lesão do Ligamento Cruzado Posterior


LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO POSTERIOR

 

Matheus Braga Jacques Gonçalves

Membro Soc. Bras. de Cirurgia do Joelho e SBOT

Eduardo Frois Temponi

Membro da SBOT

 

 

O joelho é a maior articulação do corpo humano, e uma das mais facilmente lesionadas. Ele é estabilizado por quatro ligamentos principais que conectam o fêmur com a tíbia e orientam os movimentos normais entre esses dois ossos. Dois destes ligamentos são chamados de colaterais porque ficam dos lados, e os outros dois são chamados de ligamentos cruzados, pois se cruzam no centro do joelho. O ligamento cruzado posterior (LCP) é localizado posteriormente ao ligamento cruzado anterior (LCA), sendo maior e mais forte que este. O LCP é o principal restritor da translação posterior da tíbia em relação ao fêmur, enquanto o LCA é o principal estabilizador anterior. Em conjunto, LCP e LCA também são importantes estabilizadores das forças rotacionais que atuam no joelho.

 

A lesão do LCP é menos comum que a lesão do LCA, mas não é rara, representando 3 a 37% de todas as lesões ligamentares do joelho. A lesão do LCP ocorre mais comumente em associação com lesões de outros ligamentos, como consequência de traumas de alta energia, tais como os acidentes de moto. Em menor número, observa-se lesão isolada do LCP como resultado de traumas diretos na região anterior da perna com o joelho em flexão, tal como ocorre nos acidentes automobilísticos em que a perna bate contra o painel do veículo no momento da colisão.

 

Numa fase inicial, a lesão isolada do LCP pode ser subdiagnosticada devido a pouca sintomatologia apresentada pelo paciente. As queixas em geral são dor e inchaço articular, sendo a limitação funcional e a instabilidade observadas principalmente nas lesões combinadas com outros ligamentos. O diagnóstico pode ser realizado através de consulta com ortopedista, que realizará testes clínicos que indiquem a lesão isolada e possíveis lesões associadas. Podem também ser realizados exames de imagem que confirmem as lesões, tais como radiografias especiais com estresse e principalmente a Ressonância Magnética. Estes exames auxiliam também na graduação das lesões e na orientação da melhor opção de tratamento. 

 

 As lesões isoladas parciais do LCP geralmente têm bom prognóstico com tratamento conservador, que consiste em proteger o membro afetado numa fase inicial, seguida de reabilitação fisioterápica com tempo médio de tratamento em torno de 3 a 4 meses. Nas lesões isoladas completas e nas lesões combinadas envolvendo o LCP em geral se indica tratamento cirúrgico. A cirurgia é realizada por várias técnicas incluindo a videoartroscopia, com reconstrução deste ligamento e tratamento das lesões associadas de forma simultânea ou por etapas dependendo da gravidade e números de ligamentos comprometidos. Embora seja uma das cirurgias mais complexas do joelho, o avanço das técnicas e materiais cirúrgicos vem proporcionando resultados satisfatórios, com mais de 75% dos pacientes retornando a níveis funcionais próximos ou iguais aos anteriores à lesão.



Síndrome Do Túnel Do Carpo


SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO

 

A síndrome do túnel do carpo é uma das doenças mais comuns dos membros superiores e causa  importante  de perda da função das mãos.

Nela ocorre uma compressão em um túnel localizado no punho, onde o nervo passa junto com os tendões flexores dos dedos.

Não existe causa conhecida, mas é citada a presença de alguns fatores predisponentes, ou seja, fatores que aumentam a chance das pessoas apresentarem este problema. Os fatores mais frequentes são: sexo feminino, gravidez, faixa etária de 30 a 50 anos, diabetes, uso das mãos em movimentos repetitivos e o ganho de peso nos últimos anos.

Um dos sintomas mais frequentes é a dormência nas mãos, que ocorre principalmente à noite, levando os pacientes a acordar. Ocorrem também dor e perda de força com quedas frequentes de objetos das mãos. Os sintomas normalmente são progressivos e, no início, não incomodam muito, fazendo com que os paciente demorem a procurar atendimento médico.

O diagnóstico é feito no consultório através de testes realizados no exame físico, podendo ser complementado por um exame chamado eletroneuromiografia, que informa a gravidade da doença e dados para auxiliar no tratamento da mesma.

O tratamento pode ser conservador, com o uso de talas para posicionamento adequado do punho, fisioterapia e medicamentos para aliviar a dor e inflamação; ou cirúrgico, se houver déficit motor ou ausência de resposta ao tratamento conservador.

A cirurgia consiste na abertura do túnel com consequente descompressão do nervo. O período de afastamento das atividades e repouso pós-operatório é de cerca de 15 dias com posterior reabilitação.

O tratamento é muito eficaz com grande alívio do quadro, porém pode ocorrer a permanência de alguns sintomas, principalmente se o paciente demorar a iniciar o tratamento. O exame eletroneuromiográfico também pode permanecer positivo mesmo após a descompressão adequada. 

 

Dr. Gustavo Pacheco Martins Ferreira

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão. 



Lesão do ligamento Cruzado Anterior


LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR

 

O ligamento cruzado anterior (LCA) está localizado dentro da articulação do joelho, entre o fêmur e a tíbia. Ele é responsável por proporcionar estabilidade anterior e rotacional à articulação.

A lesão do LCA normalmente ocorre por um trauma sem contato, como salto, parada súbita ou entorse do joelho durante a prática de esporte. Há, com frequência, relato de estalido, seguido de dor, aumento rápido de volume do joelho e incapacidade de movimentar a articulação. Após a melhora do quadro agudo, o paciente pode ter falseios e dor. As mulheres são mais predispostas a esse tipo de lesão, entretanto o número absoluto de lesões em homens é maior, pois esse gênero está mais exposto às atividades de risco. O diagnóstico da ruptura do LCA é feito a partir do exame clínico cuidadoso que pode ser precedido de uma punção articular para alívio de dor. A radiografia e a ressonância magnética são exames complementares que possibilitam o diagnóstico pré-operatório de lesões associadas, como por exemplo, menisco, cartilagem e avulsões ósseas.

O tratamento conservador da ruptura do LCA pode ser indicado nos pacientes sedentários e que não apresentam instabilidade nas atividades do cotidiano. É composto pelo tratamento do quadro inflamatório agudo, seguido de ganho de amplitude de movimento e força muscular.

A reconstrução do LCA é necessária, principalmente, em pacientes que praticam esportes ou que trabalham exigindo estabilidade do joelho. A idade do paciente perde a importância na hora de escolher o tratamento devido à maior frequência de pessoas de meia idade que praticam esportes. Cerca de 1/3 dos pacientes com lesão do LCA irá evoluir com sintomas de instabilidade até mesmo em atividades do dia-a-dia, justificando a sua reconstrução. Com as pesquisas atuais, não se pode dizer que a reconstrução do LCA pode prevenir a evolução para artrose.

A técnica cirúrgica empregada é baseada na reconstrução artroscópica do LCA. Utilizamos auto-enxerto de tendão patelar ou tendões flexores (grácil e semitendíneo), retirado do mesmo lado da lesão. Túneis ósseos únicos (tibial e femoral) são confeccionados com auxílio de guias apropriados, em pontos chamados de isométricos. A fixação do novo ligamento é feita com parafusos de interferência absorvíveis nos casos de tendões flexores e parafusos metálicos nos casos de tendão patelar.

O paciente deixa o hospital no dia seguinte à cirurgia, usando muletas. Entre 10° ao 14° dia de pós-operatório, as muletas são retiradas e o paciente é encaminhado à fisioterapia. A reabilitação envolve atividades de contração de quadríceps, ganho de amplitude de movimento ativa e passiva, além de treino de marcha e propriocepção. Atividades para hipertrofia muscular em academia de ginástica são iniciadas com 2 a 3 meses de cirurgia. A prática definitiva de esportes de contato ocorre cerca de 9 meses após a cirurgia.

 

Túlio Vinícius de Oliveira Campos

Coordenador da clínica ortopédica do Hospital Risoleta Tolentino Neves. Membro do Grupo de Cirurgia do Joelho do Hospital das Clínicas – UFMG e Hospital Biocor Instituto, Belo Horizonte/MG

 

Lucas de Castro Boechat

Ortopedista e Traumatologista do Esporte do Hospital das Clínicas - UFMG, Hospital Biocor e Hospital Santo Ivo, Belo Horizonte/MG.

 



Escoliose


Escoliose

 

A escoliose é popularmente conhecida como uma curvatura lateral da coluna, a princípio sem origem conhecida, que progride e pode necessitar de tratamentos traumáticos com uso de coletes e cirurgias.

Estudos recentes demonstraram ser de origem genética com transmissão hereditária complexa. Dessa forma, nem sempre os pais vão transmitir para seus filhos exatamente a mesma doença, podendo, inclusive, algumas gerações não apresentarem a deformidade, assim como nem todos os filhos vão apresentar a doença. Esse conhecimento é importante para abandonar algumas crenças inadequadas sobre a causa da doença, associadas com o uso de mochilas, exercícios físicos e erros posturais. A coluna fica torta porque geneticamente os ossos da coluna crescem de forma assimétrica.

A doença é mais comum em meninas, que crescem normalmente até a adolescência, quando um dos lados da coluna cresce mais que o outro, causando o aparecimento da deformidade. Essa alteração do crescimento não causa apenas uma curvatura lateral na coluna, mas também causa uma rotação dos ossos da coluna, as vértebras. A rotação vertebral é a responsável pela parte mais incômoda esteticamente para as pacientes, pois devido à conexão das costelas com as vértebras, ocorre uma deformidade na caixa torácica, causando a característica “giba”. A giba é uma deformidade em que um dos lados das costas é mais saliente que o outro, sendo especialmente visível quando a pessoa se inclina para frente. Dessa forma, a adolescente que crescia alinhadamente passa a apresentar diferença na altura dos ombros e assimetria da cintura, devido à curvatura lateral da coluna e um realce das costelas de um dos lados das costas, devido à rotação das vértebras.

O principal objetivo do tratamento é deter a progressão da deformidade, que tende a ficar mais grave com a passagem do tempo, podendo piorar até dois graus por ano na vida adulta. O tratamento da deformidade é bastante variado, dependendo da gravidade da curva e da idade do aparecimento da doença, pois seu desenvolvimento se relaciona com o crescimento da coluna. Então, curvas leves, em pacientes após o final do crescimento dos ossos da coluna, não necessitam de nenhum tratamento, pois não aumentam nem causam dor. No outro extremo estão os pacientes jovens, com grande potencial de crescimento e curvaturas graves, que necessitam de tratamento cirúrgico, a fim de evitar piora progressiva, que pode causar dor, restrição respiratória e grave acometimento estético. Existe ainda para os casos intermediários o tratamento com o uso de coletes até o final do crescimento.

De qualquer forma, independente do tipo de tratamento, se adequadamente conduzido,  ele interfere pouco na qualidade de vida do paciente, que pode manter-se fisicamente ativo e sem grandes alterações em sua vida escolar e social. Por se tratar de uma doença genética, existe potencial de  tratamento da causa da doença, que pode impedir que a deformidade se desenvolva.

 

Dr.Bruno Pinto Coelho Fontes

Cirurgião de Coluna do Hospital da Baleia (Belo Horizonte)



Cisto Ósseo Aneurismático


Dr. Sávio Mourão Rezende

Membro da Associação Brasileira de Ortopedia Oncológica

 

Cisto Ósseo Aneurismático

 

O cisto ósseo aneurismático (COA) faz parte de um grupo de doenças chamadas tumores ósseos benignos. São lesões que destroem a estrutura óssea normal, porém não são capazes de se disseminar para outros locais do organismo. Ele se origina na região interior do osso denominada medular e progride para a periferia causando um efeito insuflante nas paredes corticais do osso. Seu conteúdo é predominantemente líquido e pode atingir grande volume quando não tratado. Sua localização próxima da articulação pode causar graves problemas no crescimento dos membros e incapacitar o indivíduo para o desempenho das suas atividades.

Ainda são desconhecidas as causas do COA. Sabe-se que ele aparece nas crianças e adolescentes principalmente na altura do joelho. Outros locais frequentes são o braço, próximo ao ombro, a coluna e a pelve. Normalmente, a criança que está com um cisto em progressão no interior do osso queixa-se de dor na região e pode apresentar um inchaço no local. A dor costuma ocorrer durante a noite e não impede a realização das atividades diárias.  Outros sintomas como a febre e o emagrecimento não estão presentes.

 Toda criança ou adolescente que sente dor óssea persistente pode apresentar uma lesão tumoral benigna e deve ser avaliada por um ortopedista. Para se chegar ao diagnóstico do COA é imprescindível a realização de uma radiografia da região dolorosa. Os sinais radiológicos são característicos e na maioria dos casos suficientes para a confirmação do diagnóstico. Exames como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética auxiliam no diagnóstico e são úteis para planejar o tratamento.  A biópsia do osso normalmente é indicada naqueles casos nos quais existe a dúvida quanto ao diagnóstico.

O tratamento consiste na cirurgia para remoção do tumor.  Geralmente é realizada uma abertura no osso acometido e removido o material tumoral de dentro do osso. A intensa destruição da arquitetura óssea, a proximidade com a articulação e a recorrência após a remoção inicial são fatores que dificultam o tratamento. Quanto menor o cisto, melhor o resultado do tratamento. As alterações do crescimento causadas pelo tumor são difíceis de recuperar. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são determinantes para a prevenção das complicações causada pelo COA.

 



Bursite trocantérica do quadril


Bursite trocantérica do quadril

 

         A bursite trocantérica é uma condição inflamatória dolorosa localizada sobre o grande trocanter– uma proeminência óssea na face lateral do quadril. Nele se inserem os tendões dos músculos glúteos médio e mínimo, responsáveis pela estabilização da bacia durante a caminhada.

         A bursa trocantérica localiza-se entre um tecido fibroso localizado na porção lateral do quadril -  fáscia lata -  e o grande trocanter. Tem a função de evitar a fricção e o atrito excessivo entre a fáscia lata e o grande trocanter.

         Acomete pacientes de meia idade, predominando em mulheres (relação 4:1), mas também pode estar presente em pacientes jovens e ativos, principalmente corredores, ciclistas e triatletas.

         A dor é de característica crônica, intermitente, sobre a região lateral do quadril. Dor ocasionalmente de início agudo ou subagudo, podendo ser intensa. Piora à noite e, principalmente, quando o paciente deita-se sobre o lado afetado.  Pode ser acompanhada de diminuição da sensibilidade na face lateral da coxa. A dor frequentemente irradia para face lateral da coxa ou para a nádega.

         Faz parte da síndrome dolorosa do grande trocanter que inclui além da bursite trocantérica, o ressalto lateral e as tendinopatias dos glúteos médio e mínimo.

         A bursite trocantérica é uma das doenças mais frequentes na região do quadril. A causa mais comum da bursite trocantérica é o microtrauma repetitivo quando a fáscia lata comprime a bursa contra o grande trocanter durante atividade física ou simples caminhadas.

         Embora o trauma direto local seja uma das causas conhecidas, poucos pacientes se recordam de um evento traumático prévio.

         Associado à bursite trocantérica pode existir uma calcificação dos tendões glúteos médio e mínimo na região do grande trocânter.
         O diagnóstico de bursite trocantérica é clínico – história clínica e exame físico. Geralmente, a radiografia e a ressonância magnética auxiliam na investigação de doenças pré-existentes e para diferenciar de outras doenças que acometem o quadril.

         Trata-se de uma condição autolimitada que usualmente responde ao tratamento com repouso, gelo, antinflamatório e fisioterapia.

         Nos casos de bursites persistentes, pode-se fazer  infiltração com anestésico e corticóide que promove alívio da dor em 60-100% dos pacientes. As complicações desta injeção são incomuns, mas podem ocorrer: infecção, endurecimento local, lesões nervosas e afinamento da pele, especialmente com injeções repetidas.

         A cirurgia para tratamento da bursite trocantérica é um procedimento de exceção. Porém, nos casos de bursite que não melhoram após o tratamento conservador, faz-se a cirurgia com auxílio de vídeo ou não. A cirurgia consiste em ressecar a bursa, retirar abaulamento ou espícula óssea sobre o grande trocanter e o alongamento da fáscia lata.

 

 

 

Drº Leandro Emílio Nascimento Santos

Médico Ortopedista
Grupo de Quadril

 Hospital Felício Rocho
 Belo Horizonte - MG




Osteoartrose do Quadril


Osteoartrose do Quadril

Osteoartrose do quadril

 

Edson Barreto Paiva

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Quadril (SBQ), Preceptor da Residência de Ortopedia do Hospital das Clínicas da UFMG.

 

André Soares Rodrigues

Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Especialista em cirurgia do quadril, Cirurgião do Hospital Biocor e do Hospital Risoleta Tolentino Neves.

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A osteoartrose do quadril ou coxartrose é uma doença articular degenerativa de caráter progressivo. Pode acometer um lado ou pode ser bilateral, e é causa de dor incapacitante e limitação dos movimentos. Uma variedade de condições pode levar ao desgaste articular e a conseqüente artrose. No entanto, pode surgir sem causa definida, sendo chamada neste caso de artrose primária ou idiopática.  Quando conseguimos determinar uma causa específica denominamos osteoartrose secundária. Dentre as possíveis, e mais comuns, podemos citar: fraturas ou alterações morfológicas da região proximal do fêmur, displasia (alterações congênitas da articulação), doenças metabólicas (artrite reumatóide por exemplo), infecção, necrose avascular da cabeça do fêmur, entre outras. A maioria dessas afecções  leva a uma modificação da biomecânica,  acarretando em sobrecarga articular com conseqüente desgaste da cartilagem que recobre a cabeça do fêmur e o acetábulo. Quando estas alterações são detectadas precocemente, podemos implementar um tratamento específico a fim de retardar o aparecimento e a progressão da artrose.  O diagnóstico é feito pela historia clínica, exame físico e exames complementares de imagem. Inicialmente o paciente apresenta dor localizada no quadril ou referida na parte interna da coxa e do joelho, de caráter progressivo e relacionada com a atividade (caminhada) e pelos movimentos do quadril (dor mecânica). No exame físico podemos notar encurtamento, limitação dos movimentos, claudicação, associados a dor que pode ser, inicialmente leve, tornando-se intensa e incapacitante com o passar do tempo. O tratamento se divide em conservador e cirúrgico. O tratamento conservador é a base de fisioterapia, medicamentos (anti-inflamatórios,  analgésicos,  protetores da cartilagem articular ou miorrelaxantes), e medidas que visam a diminuição da sobrecarga sobre a articulação (redução de peso, bengalas, muletas, cadeira de rodas). O tratamento cirúrgico pode ser conduzido de várias maneiras dependendo de cada paciente.  Devemos considerar a idade, a causa da doença articular, a atividade de cada paciente, a amplitude de movimentos, a bilateralidade ou não da doença, a geometria articular entre outros fatores. Os procedimentos cirúrgicos podem ser divididos, principalmente, em osteotomias da pelve ou do fêmur, e as artroplastias (próteses de quadril). As osteotomias visam basicamente retardar a progressão da artrose no paciente jovem. Já as artroplastias (próteses de quadril) são procedimentos definitivos indicadas nos casos de doença articular avançada e incapacitante que não melhoram com o tratamento conservador.  

 

 

 



Osteomielite


DR.CÍCERO MORAES

MESTRE EM ORTOPEDIA

MEMBRO TITULAR DA SBOT

ORTOPEDISTA EM GOVERNADOR VALADARES (MG)

 

OSTEOMIELITE

 

            A  osteomielite é uma doença infecciosa dos ossos (osteo: osso; mielo: medula; ite: inflamação) que pode ser causada por vários agentes , sendo o principal  pela ação das bactérias que penetram no osso e causam uma infecção e destruição do tecido ósseo.

         É uma doença que pode ter varias formas ou classificações; por exemplo, ela pode ser aguda quando aparece de uma forma abrupta com febre alta e sinais intensos de inflamação, ou pode ser de uma forma crônica com  a saída de secreção purulenta por uma ferida na pele por muitos anos; Pode ser causada após uma fratura exposta quando o osso ao ser fraturado apresenta uma ferida com exposição óssea, ou pode acontecer após uma cirurgia onde tenha se colocado um implante metálico . Cada forma apresenta as suas características e tratamento diferenciado

         A Osteomielite aguda é mais comum em crianças e afeta principalmente a tíbia e o fêmur, tendo uma incidência aumentada em crianças desnutridas. A criança apresenta queda do estado geral com mal estar, desânimo, não conseguindo apoiar no membro acometido, inchaço e sente dor óssea intensa à palpação no local afetado.

         Quando o médico suspeita de uma osteomielite, normalmente ele solicita alguns exames laboratoriais de sangue que vão mostrar o grau de infecção que está acometendo o paciente; Alguns exames de imagem como as radiografias também são solicitados e outros podem ser solicitados de acordo com cada caso. Quando há uma historia de cirurgia e se observa a saída de secreção purulenta, o diagnóstico é mais facilitado.

         O diagnóstico rápido é essencial para a instituição do tratamento definitivo com a utilização de antibióticos e, na grande maioria das vezes, de cirurgia que deve ser feita o mais rapidamente possível. Esse diagnóstico e tratamento urgente são importantes, pois, quando tratada de forma correta, pode acontecer a cura definitiva. De outra maneira, a doença pode evoluir para a forma crônica.

         Para o tratamento cirúrgico, é necessária a internação do paciente, que é submetido a uma anestesia e posterior cirurgia, onde é feito um orifício no osso e drenado a secreção que deve ser mandada para exame de cultura para determinar a bactéria e qual o melhor antibiótico a ser usado. Nos casos crônicos, é necessária a limpeza e retirada de fragmentos ósseos necrosados e, na presença de implantes metálicos, os mesmos às vezes precisam ser retirados. O paciente permanece alguns dias internados para fazer antibioticoterapia venosa e depois continua com o uso da medicação oral domiciliar.

         O acompanhamento posterior é importante e o paciente deve ser orientado quanto à possibilidade de recidiva da doença, mesmo longo tempo depois, devendo guardar os exames e procurar o médico diante de qualquer alteração do quadro.

 



Pé Torto Congênito


Pé Torto Congênito

Pé Torto Congênito

 

Autores:

 

Cláudio Beling Gonçalves Soares

Médico Ortopedista Pediátrico

Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica

Médico ortopedista pediátrico dos Hospitais da Baleia e Madre Teresa

 

Gilberto Francisco Brandão

Médico Ortopedista Pediátrico

Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica

Médico ortopedista pediátrico dos Hospitais da Baleia e Biocor

 

Todas as imagens são do arquivo pessoal dos autores

 

Dentre todas as doenças que se apresentam ao nascimento, o pé torto é a mais frequente. Ela acomete 2 a cada 1000 crianças nascidas vivas. Esta alta frequencia faz com que o pé torto seja a principal doença tratada pelo ortopedista pediátrico. Felizmente, o tratamento atualmente realizado é eficaz, levando a bons resultados para a grande maioria das crianças.

Apesar de poder estar associado a outras doenças o pé torto é normalmente “idiopático”, ou seja, sem causa determinada. Até agora não foi possível estabelecer o motivo pelo qual uma criança nasce com pé torto. Certamente está associado a causas genéticas, sedo mais frequente quando a criança tem parentes com pés tortos.


O diagnóstico é feito com facilidade ao nascimento pela posição típica na qual o pé da criança está posicionado. O pé torto aponta para baixo e para dentro – equino-varo em termos médicos. Estas deformidades normalmente são rígidas e não conseguimos posicioná-lo no alinhamento normal com a manipulação. Algumas vezes o diagnóstico pode ser realizado antes do nascimento, na ultrassonografia obstétrica, apartir da 16ª semana de gravidez.

 


É importante, no diagnóstico do pé torto congênito, procurarmos por outras doenças que podem estar  associadas. Doenças neurológicas e síndromes como a artrogripose e bandas de constricção congênita podem estar associadas.


O tratamento do pé torto é feito com visitas semanais ao médico onde se realiza correção gradual da deformidade com manipulação e colocação de gesso. A troca semanal do gesso permite o alongamento das estruras que mantém a deformidade, permitindo sua correção. Normalmente após uma série de seis a oito trocas de gesso avalia-se a necessidade de realização de cirurgia.

 


A cirurgia, que é realizada no ambulatório, leva à correção final da deformidade, preparando o pé para o uso de órtese. A órtese é um aparelho ortopédico que mantém a correção obtida. Esta deve ser usada até a criança completar 4 anos de idade.

Os resultados do tratamento do pé torto são geralmente bons, permitindo que a criança ande bem, sem limitações na grande maioria das ocasiões.



Relato Especialistas sobre a Nimesulida


Relato Especialistas sobre a Nimesulida Confira no link o pdf do Relato de Especialistas sobre a Nimesulida


FRATURAS DO RADIO DISTAL (COLLES)


FRATURAS DO RADIO DISTAL (COLLES)

Confira no link ao lado um texto sobre a Fratura do Rádio Distal (Colles)



Lesões Agudas do Tendão Calcâneo - Dr. Daniel S. Baumfeld e Dr .Benjamin D. Macedo


Lesões Agudas do Tendão Calcâneo - Dr. Daniel S. Baumfeld e Dr .Benjamin D. Macedo

Lesões agudas do Tendão Calcâneo

As lesões do tendão calcâneo (tendão de Aquiles) são comuns na população geral e não se restringem somente àqueles indivíduos que possuem atividades esportivas regulares. O tendão de Aquiles é o maior do corpo humano, tem origem na região posterior do joelho e inserção na região posterior do calcâneo.

As lesões são mais comuns em homens com idade entre 30 e 50 anos, que praticam atividades físicas de forma irregular e sem preparação adequada. Obesidade, mau alinhamento dos pés , uso crônico de corticóides, alguns tipos de antibióticos , anabolizantes  e erros de treinamentos durante as atividades esportivas também podem estar relacionados com a ruptura.

   

A falta de alongamento do tendão calcâneo, sedentarismo, pés cavos e excesso de carga na panturrilha levam ao enfraquecimento do tendão e, consequentemente, podem levar a sua ruptura.

Os sintomas agudos normalmente estão relacionados com atividades físicas, mesmo que leves. O paciente relata “sensação de uma pedrada” na região posterior da perna e apresenta dor, edema, hematoma e incapacidade de continuar a atividade iniciada. Uma descontinuidade na extensão do tendão pode ser percebida na comparação do lado normal com o lado lesionado (Figura 1 A-B).

 

O diagnóstico da lesão é essencialmente clínico, mas quando necessário, o exame de ultrassonografia ou ressonância magnética podem ajudar.

Nos casos agudos, os pacientes deverão ser encaminhados para um serviço de emergência que possua atendimento ortopédico. O tratamento pode ser conservador com bota gessada ou cirúrgico. A decisão do tipo de abordagem é baseada no exame médico e nas características da ruptura.

Cuidar da saúde é primordial! As lesões do tendão calcâneo podem ser acompanhadas de outras doenças como Hipertensão e Diabetes. Portanto, a melhor forma de prevenir é manter atividade física regular com orientação profissional acompanhada de uma alimentação saudável.

 

Autores:

Dr. Daniel S. Baumfeld

Ortopedista do Hospital Felício Rocho, Belo Horizonte, Minas Gerais

Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela UNIFESP

 

Dr .Benjamin D. Macedo

Ortopedista do Hospital Felício Rocho, Belo Horizonte, Minas Gerais

Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela UNIFESP

 



Síndrome do Impacto do Ombro


Síndrome do Impacto do ombro

                A Síndrome do Impacto do ombro é uma das causas mais comuns de dor no ombro do adulto. Afeta mais frequentemente pessoas com mais de 40 anos, mas também pode acometer jovens atletas ou profissionais que utilizam, durantes períodos prolongados, o braço acima da linha do ombro.

                Inicialmente, a dor aparece localizada no ombro durante as atividades, podendo irradiar para a parte lateral do braço. É comum a piora da dor à noite, e, conseqüente, dificuldade para dormir.

                A causa da dor é um desequilíbrio mecânico onde as estruturas internas do ombro (bursa e tendões do manguito rotador) sofrem impacto no “teto” do ombro (acrômio), podendo evoluir com inflamação (bursite, tendinite) ou até ruptura dos tendões.

                O diagnóstico é realizado através avaliação dos sintomas e do exame físico, sendo, às vezes, necessários exames complementares como raio-X e ressonância magnética.

                O tratamento inicial é conservador, com antiinflamatórios, analgésicos e fisioterapia, com grande melhora na maioria dos casos. Nos casos resistentes ou com lesões importantes do manguito rotador, indica-se tratamento cirúrgico, preferencialmente por vídeo-artroscopia, com ótimos resultados.

                É bom lembrar que algumas afecções simulam esses sintomas, como doenças cardíacas, pulmonares, neurológicas e alguns tumores. Procure sempre seu médico para esclarecimentos e orientações.

 

 

Dr.Antônio Enéas Rangel Junior

Cirurgião do Grupo de Ombro e Cotovelo do Hospital Felício Rocho (Belo Horizonte-MG).



Osteonecrose Cabeça Femoral


                  Osteonecrose da cabeça do fêmur

 

O que é osteonecrose?

Osteonecrose é a doença resultante da interrupção temporária ou permanente do suprimento de sangue para uma parte do osso. Sem sangue, o tecido ósseo morre por falta de oxigênio, podendo entrar em colapso. Quando o processo ocorre na cabeça do fêmur, tem o nome de osteonecrose da cabeça femoral, podendo ser também denominada necrose avascular da cabeça femoral.

 

  O que causa a osteonecrose da cabeça femoral?

A causa de interrupção do fluxo sanguíneo não é bem conhecida ainda, porém, sabe-se que certas condições de saúde aumentam a chance da pessoa desenvolver a doença. Essas condições são principalmente:

-         Traumas – Luxações e fraturas do fêmur

-         Consumo de álcool frequente

-         Uso de Corticóides em altas doses

-         Doenças que alteram a coagulação (Trombofilia)

-         Doenças renais (insuficiência renal crônica)

-         Anemia Falciforme

-         Quimioterapia

 

Quais os Sintomas?

Infelizmente, muitas pessoas terão a doença há algum tempo antes do início dos sintomas. O mais frequente é a dor na virilha, podendo irradiar-se pela coxa, e que ocorre, principalmente, após esforços moderados.

 

    Como diagnosticar?

Após entrevistar e examinar o paciente, o ortopedista solicitará a avaliação do quadris através de exames de imagem: Radiografias, Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada ou Cintilografia Óssea. Pode ser necessário um ou mais destes exames para o diagnóstico.

 

   Como é o tratamento?

O tratamento vai depender da fase em que se encontra a doença, sendo mais simples nos casos iniciais. Deverá ser conduzido sempre pelo ortopedista.

 

 

Dr. Leonardo Brandão Figueiredo

Ortopedista Especialista em Cirurgia do Quadril

Presidente da Sociedade Brasileira de Quadril 2011 (Regional Sudeste)

 

 



Doença de Legg-Calvé-Perthes


DOENÇA DE LEGG-CALVÉ-PERTHES

 

O que é? É uma doença autolimitada (apresenta resolução espontânea), crônica, de causa ainda desconhecida, que acomete a cabeça do fêmur no quadril de crianças. Ela afeta quatro vezes mais os meninos que as meninas, surgindo mais frequentemente entre a idade de 4 e 8 anos, com uma incidência aproximada de uma para 10.000 crianças.

Como ocorre? O núcleo de ossificação da cabeça do fêmur, chamado de epífise femoral, sofre perda temporária da irrigação sanguínea, entrando em processo de necrose (“morte”), causando a doença. Em seguida, haverá naturalmente uma revascularização desta epífise, com reabsorção do “osso morto” e deposição de “osso vivo”. Este processo pode demorar de 2 a 3 anos, tempo que dura a doença, podendo ou não deixar sequelas (perda da esfericidade da cabeça do fêmur com desgaste futuro do quadril), dependendo de sua gravidade.                  

Quando suspeitar da doença? A criança iniciará com queixa de dor no quadril, sem causa aparente.  Esta dor é de intensidade variável e pode irradiar-se para a parte interna da coxa e joelho. A dor geralmente se intensifica com as atividades físicas e pode durar várias semanas.  Comumente a criança manca, em consequência da dor.

Como é feito o diagnóstico? Geralmente, o diagnóstico é feito pelo ortopedista, com a análise das queixas, exame físico e radiografias da bacia. Entretanto, no início da doença, a radiografia pode ainda não apresentar alterações, podendo ser necessários outros exames, como a cintilografia óssea ou a ressonância magnética.

Como é o tratamento? O tratamento desta doença é controverso e deverá ser individualizado. A criança visitará periodicamente o ortopedista, que acompanhará a evolução da doença.  A análise de algumas variáveis, como a idade de aparecimento da doença (antes dos 6 anos, melhor prognóstico) e a extensão da necrose nos exames de imagem (quanto maior a área de necrose, pior o prognóstico), ajudarão o médico a presumir os casos que evoluirão bem ou mal, orientando o seu tratamento. As crianças mais novas, com a doença na forma mais leve, poderão ser apenas observadas ou tomadas medidas para manter a boa mobilidade do quadril, como fisioterapia, natação, suspensão temporária de outras atividades esportivas ou o uso de muletas para diminuir a carga no quadril afetado. Nas crianças mais velhas, com maior acometimento da epífise, poderão ser acrescentados outros tipos de tratamento, no sentido de prevenir a deformação da cabeça femoral, como o uso de aparelhos ortopédicos ou mesmo, cirurgias.

Dr. Luiz Renato Drumond Américo.

Ortopedista Pediátrico em BH, MG.  Membro Titular da SBOT e SBOP.

 Atuação nos Hospitais: Baleia, São Camilo, Lifecenter e Ipsemg. 



Cifose de Scheuermann


Cifose de Scheuermann

Cifose de Scheuermann

*Rodrigo D’Alessandro de Macedo

A coluna vertebral é dividida em 4 segmentos: cervical, torácico, lombar e sacrococcígeno. Quando se observa a coluna de lado - perfil-existem curvaturas. Essas curvas são passíveis de medição através de radiografias. Existem, portanto a lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar e cifose sacral. Após estudos estatísticos de radiogafias, foram definidos valores de referência para essas angulações. Quando consideramos a coluna lombar, esses valores oscilam entre 30 e 60 graus e a coluna torácica entre 20 e 40 graus.  A hipercifose torácica é descrita quando ocorre uma angulação superior a 40 graus.

As causas dessa alteração são diversas. Uma dessas é Cifose de scheuermann (CS). Doença descrita como uma deformidade cifótica rígida, associada à acunhamento de corpos vertebrais. Esta condição passou a ter interesse ortopédico por ser dolorosa em alguns casos e por poder cursar com deformidade progressiva.

A incidência da CS tem variado conforme a literatura entre 0,4 e 8,3% da população. É uma deformidade típica do final da idade juvenil, comum entre 8 e 12 anos sendo encontrado em sua forma mais rígida entre os 12 e 16 anos. Os estudos na sua maioria não mostram diferença entre os sexos.

A maioria das queixas está relacionada à deformidade estética e/ou a dor na região lombar ou torácica.

Para definição do tratamento, é importante considerar o valor do ângulo da curva e a maturação esquelética (definida como potencial de crescimento esquelético). De uma forma geral, pacientes com potencial de crescimento e curvas acima de 45 graus está indicado o uso de colete (denominado Milwaukee). Deve-se salientar que o resultado de melhora não ocorre em todos os pacientes e as curvas acima de 74 graus, em geral não apresentam resultados satisfatórios. Portanto, é fundamental o controle periódico.

Fisioterapia e atividade física não apresentam evidências de que são eficientes para a correção da deformidade. Porém, são importantes para fortalecimento, alongamento e  controle da dor. 

A tendência é considerar o tratamento cirúrgico para pacientes com curvas cifóticas superiores a 75°, com quadro de dores refratárias ao tratamento conservador, deformidades inaceitáveis, déficits neurológicos e/ou com comprometimento cardiopulmonar.

*  Coordenador do Grupo de Coluna do Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais-IPSEMG. Preceptor do Grupo de Coluna do Serviço Professor Matta Machado do Hospital da Baleia/Fundação Benjamin Guimarães. Mestre em Ciências e Técnicas Nucleares pelo Departamento de Engenharia Nuclear da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG - Belo Horizonte (MG), Brasil.

 



Lesões meniscais


Lesões meniscais 

         Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas presentes aos pares em cada joelho. Desempenham diversas funções, dentre as quais amortecimento de impactos articulares, aumento de congruência, restrição de movimentos anormais e facilitadores da circulação do líquido articular.

         Lesões meniscais apresentam-se em dois grupos distintos: lesões agudas, secundárias a traumas diversos e lesões degenerativas, fruto do processo natural de envelhecimento. As primeiras podem ocorrer durante práticas esportivas, quedas e como lesões adicionais de fraturas ao nível do joelho. As últimas sendo provável causa e consequência do desgaste articular,

         Ao ortopedista interessará a sintomatologia do paciente, a limitação que a lesão lhe impõe, sua idade, anseios esportivos, morfologia da lesão, lesões associadas e a resposta a possíveis tratamentos prévios.

         O diagnóstico se dará através de inquérito médico e manobras específicas, podendo ou não suceder-se exames complementares. Atualmente, a ressonância magnética é o exame imaginológico de eleição, sendo capaz de diagnosticar aproximadamente 95% das lesões, sendo método pouco invasivo e de baixo risco para o paciente.

         Em linhas gerais, lesões degenerativas podem ser tratadas de forma não cirúrgica, utilizando-se de analgésicos, restrição de atividades e, quando indicado, fisioterapia. Em seu tratamento cirúrgico, a existência de lesões concomitantes além das meniscais, podem reduzir os índices de satisfação dos pacientes com o procedimento. Lesões agudas em pacientes sintomáticos, com demanda atlética ou restrição de suas atividades diárias, podem obter benefícios com o tratamento cirúrgico video-artroscópico.

         O ato cirúrgico visa a restaurar a anatomia meniscal, devolvendo a estabilidade ao movimento articular. Será tão econômica quanto possível a ressecção de sua estrutura (meniscectomia parcial), sendo a sutura lesional desejável e indicada em casos selecionados.

 

 

Thiago Ildefonso Dornellas Torres- Ortopedista e Traumatologista- Cirurgião de Joelho

 

Túlio de Oliveira Campos- Ortopedista e Traumatologista- Cirurgião de Joelho